quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Destaque de hoje neste blog - 08/09/2011


Competitividade

Portugal recupera um lugar no ranking mundial

por Margarida Bon de Sousa, Publicado em 08 de Setembro de 2011  |  Actualizado há 9 horas

Só não somos melhores porque estamos em 140.º no mercado laboral


O grande marketing à volta do choque tecnológico feito pelo anterior primeiro-ministro, José Sócrates, fez Portugal subir um lugar no ranking da competitividade, passando do 46.o lugar para o 45.o no estudo anual da WEF World Economic Forum, que este ano analisou 142 países. Em contrapartida, o mercado laboral continua a ser o nosso calcanhar de Aquiles: ficámos na cauda, na 140.o posição.

Em primeiro lugar ficou a Suíça e em segundo Singapura, que ultrapassou a Suécia. Os Estados Unidos perderam a quarta posição para a Finlândia, ocupando agora o quinto lugar, e o Japão caiu três posições, para nono lugar. A descida da competitividade dos Estados Unidos explica-se pela instabilidade macroeconómica e o pior funcionamento das instituições.

Melhor foi a performance conseguida pelo Reino Unido, que entrou no pelotão dos dez melhores, subindo duas posições, enquanto a Alemanha de Merkel recuou um lugar, para o sexto. Entre os melhores encontram-se também os Países Baixos e a Dinamarca.

O estudo deste ano, apresentando ontem nas instalações da AESE (Escola da Direcção e Negócios), revelou outros dados interessantes sobre a evolução da competitividade a nível global.

Enquanto antes havia um grande gap entre os países emergentes e os mais desenvolvidos, agora há uma maior uniformidade entre ricos e pobres, com uma melhoria significativa dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

Ao nível da Europa assistiu-se ao crescimento de um fosso entre os países, com estados a terem uma performance muito elevada e outros, como a Grécia, que desceu para a 90.a posição a nível mundial.

A amostragem utilizada este ano incluiu um vasto inquérito a 14 mil pessoas, com uma série de índices, como as instituições, as infra-estruturas, o ambiente macroeconómico, a saúde e a educação, os estudos universitários e a formação, a eficiência dos mercados de bens transaccionáveis, laboral e financeiro, tecnologias, tamanho do mercado, sofisticação dos negócios e inovação. Em Portugal foram entrevistadas 136 pessoas, 35% das quais através da internet.

Portugal, que vinha a perder competitividade desde 2005, inverteu este ano a tendência. Nalguns aspectos, como infra-estruturas, telemóveis per capita, tecnologias de ponta, experimentação, exportações e acesso à banda larga, estamos mesmo à frente da média dos países da União Europeia.

Betão Onde Portugal marca verdadeiramente pontos é nas infra-estruturas rodoviárias: estamos em quinto lugar. Melhorámos também em termos de educação superior e formação, embora a matemática se mantenha um ponto fraco. Nestas duas áreas ficámos em 35.o lugar, com um score de 4,62 em 7.

Em contrapartida, piorámos nos pontos sobre a qualidade das instituições, o ambiente macroeconómico e o desenvolvimento do mercado financeiro, o que teve principalmente a ver com a disponibilidade de crédito para empresas.

O presidente da AESE, José Ramalho Fontes, um dos oradores da sessão, referiu que as classificações em si mesmas não são assim tão importantes, salientando que o que está em causa é continuarmos a aumentar a competitividade. "E queremos fazê-lo nos próximos anos, pese o facto de poderem ser ainda mais críticos que o que possamos pensar." O responsável pela escola de formação de quadros superiores ligada à Universidade Católica referiu que a competitividade induz produtividade quando existem investimentos bem feitos, com boas taxas de retorno, que levem à prosperidade e ao crescimento da economia. "O factor da inovação tem uma ponderação de 30%, o que é importante", explicou.

A sofisticação dos negócios foi outro dos itens onde Portugal melhorou, embora tenhamos piorado na capacidade de delegação de autoridade e nos fornecimentos internos, quer ao nível da qualidade, quer ao nível da quantidade. A subida de Portugal no ranking depende essencialmente da melhoria das instituições, da redução da despesa pública, da extinção de organismos, da racionalidade das estruturas de gestão, da eficiência da justiça, com maior arbitragem e reorganização do sistema social. Actualmente estamos no segundo pelotão de países, lado a lado com a Irlanda, a Nova Zelândia e o Chile.


In: ionline.pt


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